
Reticências, será preciso de muitas quando o assunto for eu, não terei coragem de colocar muitas verdades, e abrirei parênteses, pularei cenas que não quero lembrar, e lembrar-me-ei de outras que deveria não ter notado, mentirei como sempre, e vou exagerar muito. Não vou dizer que meus olhos são cheios de verdade, e que sou sozinho demais. Que ninguém me nota, ou que sou popular. Me descreverei como ser de imaginação. Que vive de sonhar, e sonha pra viver. Minha pediatra me descrevia da seguinte forma: Pequeno em altura, porém idéias que extrapolam limites. Aliás, essa é a ironia da vida: Tentar encontrar sentido em algum lugar, sendo que nada tem sentido. O tempo continua, da mesma forma. Os segundos parecem se repetir, mas todos os detalhes se perdem dentro de mim a cada dia que passa. Ainda que dure, não serei eterno. E no mais tardar, essa história que escrevo agora, terá o seu final. Abro a porta do banheiro, e aquele cheiro de sangue invade minha respiração. Não me importou, conheço bem aquele cheiro. É retirado todos os dias de mim, e sempre ignoro o fato de aquele ser o meu sangue. Para mim, não faz falta. Afinal, é isso que o amor faz conosco, não é? Abre grandes feridas. Sejam físicas ou emocionais. Eu consumo aquilo que me depende, e vem aquela dúvida: “É assim que vou continuar vivendo pelo resto da minha vida?” Talvez seja uma pergunta retórica, “Até quando vou escolher ser assim?” Tão eu ficar parado e tenso na hora da resposta, muito comum, desistir de tentar responder e deixar sem respostas. Esse é apenas um lado meu que nunca tive coragem de revelar

Chegava um momento em que eu percebia que algo me incomodava. Não era fome, nem vontade de um belo banho, nem sono, eu sabia que não. Era uma vontade piedosa, incontrolável. Eu segurava o celular; uma folha de papel como se fosse chegar à concluir algo interessante em relação. Eu precisava de vento. Minto, eu precisava de calor, se consegues entender. Um sinal de amor. Eu não podia ficar sem falar um dia com você. Faltava algo. Eu ia na padaria, ou só olhava o lado de fora de casa no final da tarde parecendo até que você fosse aparecer. Quem dera. Minha vontade era de ligar pra ti. O dia estava me proibindo da minha calma, do meu bem. Como pode fazer isso comigo? Estaria eu como em uma prisão à um sentimento estúpido de necessidade -com nenhum pouco de certeza- recíproco a ti. Eu apenas olhava para a câmera fotográfica ao meu lado com um desejo inquieto de ligá-la e ver fotos de nós dois. Não tinha. Um passeio nosso para ficar guardado em memórias viciantes, por favor. Também não tinha. Ao acordar, gostaria de abrir as cortinas e mostrar como o sol se mostra e ver-te sorrindo com uns olhinhos demonstrando sono, que ultimamente sinto saudades de ter, à noite, claro. Ter um café da manhã completo seria se eu olhasse para o lado e te encontrasse -em pé- colocando meu suco e me pedindo calmamente pra comer tudo que eu tivesse direito. O ideal também seria eu esperar chegar quase 5 horas da tarde todos os dias, somente pra te encontrar e fazermos assim, um lanche da tarde; um passeio de mãos dadas ou até mesmo com você me empurrando só pra eu chegar mais perto de ti e nossos contatos -de lábios e olhos- se encantarem por tanta paz. Minha paz, nossa. Complicado é assistir um filme romântico, daqueles franceses; italianos ou de casais náufragos sem pensar em ti. Foi algo. Foi algo importante. Algo nos induziu pra nossa primeira conversa, lembra-se dela? Discretamente mostramos o quanto nos importamos com o futuro um do outro. Ah, meu bem, então que façamos dele cheio da gente. Um futuro com uma abundância fantástica de nós. Nem sequer preciso aprofundar o assunto da vontade indecifrável que tenho de te ligar; passar o dia falando com você e se for preciso, ficar em silêncio, imaginando como estarias do outro lado da linha. Não conseguia. Estava impaciente. Toda tentativa frustrada de tentar entrar em contado com você era impedido por algo, exceto a da minha mente, mas nem esse meio, não sabia se poderia ser recíproco. Peguei novamente seu numero que estava em uma gaveta, e disquei. Confesso que fiquei intrigado pelo ocupado, quem te ligaria a essa hora? Um pretendente talvez. Resolvi não imaginar, e ligar 30 minutos depois. Sua voz, tão dócil, e confortante, poderia ouvi-la por um dia todo sem parar, mas você sempre desligava 3 minutos depois por não haver resposta do outro lado da linha. Seria um começo falar meu nome, mas não mudaria algo, mudaria? Conversávamos grande parte do dia, por dois ângulos diferentes. Poupei grande parte do que não tinha coragem de dizer, recolhi e mudei o contexto, a única coisa que não tinha mudanças era o final, com um adeus seco, você saia e me mandava se cuidar, como se fosse possível ficar tranquilo sem sua ausência. O anônimo que se preocupava era eu, demorava responder, porque tinha que atuar como dois personagens, um que se preocupava, e outro que escondia. Abria os livros, e cuidadosamente me iludia, estava já incapaz de imaginar algo que você não fizesse parte, era um amor com gosto de loucura, ao mesmo tempo que estava feliz respondendo suas perguntas, estava triste, formulando novas respostas. Para que fosse possível um dia chegássemos a um denominador comum, só faltava uma coisa, deixar de sonhar, e optar com acordar, por mais dócil que seja ter você em todos eles, despertar faz pensar que ainda estou em um dos meus pesadelos, me fazendo esquecer de viver, e esquecer de acordar. Yandra Brito (maquia-dores) + Sam (oquevocesignificaparamim)

Depositei minhas esperanças, criei sonhos, fiz planos, dei a você o meu coração, e assim como as outras pessoas, você se foi. Não pensou nos meus sentimentos, não se importou com a minha dor. E pensar que um dia você disse que me amava […] Ser abandonado dói. Pessoas a minha volta me perguntaram o que está havendo comigo […] Não é sono, mau-humor, muito menos vazio, é saudades de você, sim é saudades. A pior parte de todas é sentir falta de pessoas que me esqueceram, que vivem bem sem mim, e ver que realmente não faço mais diferença. Talvez eu deva fazer o mesmo, seguir em frente, esquecer, fingir que nada existiu, viver…

De que adianta prometer não chorar por você, sendo que tudo que você faz me afeta? De que? Jurar pra eu te mesmo esquecer te deixar, conseguir seguir frente olhar pra trás e se sentir perdido? Fingir que não me importo, e por dentro morrer de preocupação? O que adianta? Feliz na sua frente e triste nas suas costas? Sou mesmo Falso, inocente, medíocre e idiota, não sei mais o que escrever, tudo anda tão clichê, sem respostas, sem perguntas, apenas sentimentos, esquecidos, mas ainda vivos, que insistem em atormentar-me. Minha cabeça sem tão descontrolada, meu coração impaciente, meu corpo demonstrando a sua fragilidade, minha dependência. (oquevocesignificaparamim via garota-tola)